Introdução
O Diabetes Mellitus (DM) compreende uma doença milenar, acompanhando a humanidade até os dias de hoje. É um importante problema mundial de saúde, tanto em termos no número de pessoas afetadas, incapacidade, mortalidade prematura, quanto nos custos envolvidos no controle e no tratamento de suas complicações. A incidência desta doença vem aumentando principalmente nos países desenvolvidos, devido à modificação nos hábitos alimentares e com o sedentarismo dos tempos modernos (Mondini e Monteiro, 1996).
Estima-se que só nos Estados Unidos, 16 milhões de pessoas são diabéticas, e 90 a 95% deste total possui DM Tipo II (Colberg e Swain, 2000). Calcula-se que em 2025, possam existir cerca de 11 milhões de diabéticos no Brasil, representando um aumento de mais de 100% em relação aos atuais 5 milhões de diabéticos (Lerário, 1998). Um estudo multicênico realizado pelo Ministério da Saúde (2002), revelou o alto grau de desconhecimento da doença, 46,5% dos diagnósticos desconheciam o fato de serem portadores de DM. No Brasil a prevalência de DM por grupo etário na população de 30 a 69 anos, se encontra desta forma: 30-39 anos (2,7%); 40-49 anos (5,5%); 50-59 anos (12,6%); 60-69 anos (17,3%) (Martins, 1998).
A palavra Diabetes foi dada por um médico grego de nome Aretaeus (aproximadamente 150 AC) com o objetivo de descrever uma doença em que os enfermos urinavam muito, ou seja, diabetes em grego significa sifão (um tubo para espirar água). No século XVI, um médico iraniano Avicena, descreveu os mais importantes sintomas e conseqüência na evolução do diabetes: a gangrena e o colapso sexual. Porém, em 1776, o inglês Mathew Dobson demonstrou que o diabético secretava açúcar pela urina, levando todos os médicos daquela época a pesquisarem os órgãos mais afetados pela doença. Mais tarde, aproximadamente no século XVIII, Paul Langerhans, estudante de medicina, publicou um trabalho sobre histologia do pâncreas, que descrevia um tipo desconhecido de células localizadas próximas aos acinos e que não se comunicavam com os dutos excretores, porém naquela época não pôde especificar as funções destas células (Netto, 2000).
Entre 1895 e 1921, vários estudos concluíram que as Ilhotas de Langerhans eram a porção responsável pela produção e secreção de hormônios. Em 1909 Meyer descobriu a substância hipotética produzida pelas Ilhotas de Langerhans: insulina. No entanto, este hormônio só será descoberto em 1921. Antes disso os pacientes eram tratados a base de dietas rigorosas.
A partir dessa descoberta, Frederick Bantinhg e Charles Best produziram pela primeira vez um tipo de preparação insulínica para o tratamento de diabetes em seres humanos. Eles extraíram o pâncreas de um cão, provocando o aparecimento do DM, e restauraram a atividade com injeções de extratos do pâncreas normal (Netto, 2000).
O Ministério da Saúde (2002) define DM como uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina em exercer adequadamente seus efeitos, caracterizando-se por hiperglicemia crônica com distúrbios do metabolismo dos carboidratos, proteínas e lipídios.
Segundo Lerário (1998), o impacto da doença como problema de saúde pública decorre não apenas de seu quadro clínico diretamente relacionado à hiperglicemia, mas principalmente como conseqüências, em suas complicações crônicas vasculares e neurológicas observada pelas alterações que ocorrem em diferentes órgãos e sistemas que se traduzem em uma piora acentuada da qualidade de vida do paciente diabético. Pois, durante a digestão normal o corpo converte o açúcar, o amido e outros alimentos em açúcar simples chamado glicose, que é conduzida pelo sangue até as células, e introduzida no interior pela insulina, dessa forma, a glicose é convertida em energia para a utilização imediata ou armazenada para o uso próximo. No entanto, quando o DM aparece, este processo é interrompido, a glicose acumula-se no sangue, ocasionando um quadro hiperglicêmico. O excesso de glicose no sangue e a sua falta no interior da célula são as causas de todos os sintomas do Diabetes (Silva, 1997).
De acordo com a American Dietetic Association (1998), o DM é dividido em quatro classes: DM Tipo I (deficiência de insulina causada por destruição das células beta pancreáticas, doença auto-imune); DM Tipo II (resistência periférica à insulina com secreção compensatória insuficiente); Outros tipos específicos (secundários a outras patologias) e DM Gestacional (incapacidade das mulheres aumentarem a sua secreção de insulina durante a gravidez). O grau de insuficiência do hormônio insulina, segundo o National Diabetes Data Group (1979), é que determina a subdivisão do diabetes em dois grupos: Insulino Dependente ou Tipo I (DMID) e Não Insulino Dependente ou Tipo II (DMNID).
No DMID, há produção de anticorpos antiilhota de Langerhans com destruição progressiva das células beta do pâncreas, ocorrendo uma redução gradual da síntese de insulina até a falência completa da célula beta (Setian, Damiani e Dichtchekenian, 1995). Faz parte de 5 a 10% da população diabética e tem inicio na infância, adolescência ou em adultos jovens (Cancellieri,1999; Oliveira e Casal, 2001).
NO DMID, fatores genéticos predispõem a essa falha imunológica, bem como fatores ambientais, podem ter um papel importante na etiologia da doença em indivíduos com tal predisposição (Benetti,1996). Os sintomas surgem abruptamente e envolvem acentuação do volume e urgência urinária, sede excessiva, visão turva, cansaço ou fadiga, fome excessiva, e os sinais clínicos clássicos, glicose na urina, hiperglicemia, hipoinsulinemia e hipeglucagomomia (Cancelliéri,1999; Netto, 2000). Em decorrência da falta de produção insulínica, há necessidade de administração de insulina exógena diária em conjunto com uma alimentação adequada e atividade física regular, com o objetivo de diminuir os sintomas, prevenir complicações agudas e doenças secundárias (neuropatias, nefropatias, retinopatias, etc) (Cancelliéri,1999).
O DMNID, está associada a uma resistência às ações da insulina, a secreção de insulina, e a níveis de insulina plasmáticos normais elevados. Os níveis de insulina plasmática estão aumentadas devido a um excesso de liberação de insulina, resultante do efeito estimulatório dos níveis de glicose circulante (Netto, 2000). Acomete cerca de 90 a 95% da população diabética, tendo como fatores de risco de desenvolvimento da patologia, a hereditariedade, obesidade, infecções, uso de drogas medicamentosas, gestação. Os sintomas surgem de forma lenta, podendo o paciente permanecer assintomático por um longo período de tempo (Cancelliéri, 1999; Colberg e Swain, 2000).
Em muitos casos onde não há nenhum sintoma aparente a doença é diagnosticada por meio de exames de rotina, em outros, o quadro apresenta-se em estágio avançado, com queixas relativas às complicações neuropáticas, retinopáticas e vasculares (Netto, 2000). Os indivíduos diabéticos, em geral apresentam doenças associadas tais como: hipertensão, dislipidemia, obesidade (tipo II), doença isquêmica do coração, pode-se dizer que o exercício físico regular além de contribuir para melhora do estado glicêmico, diminui sobremaneira os fatores de risco relacionados as doenças cardiovasculares (American College Of Sports Medicine & American Diabetes Association, 2000; Forjaz et al., 1998).
O tratamento do DM pode ser realizado por meio de modificações dietéticas, perda de peso ou uso de drogas antidiabéticas orais (Lerário, 1998). Outro fator de prevenção e auxilio no tratamento da Diabete e da diminuição das complicações associadas, é o exercício físico que contribui com uma melhor qualidade de vida ao diabético. Atuando preventivamente quando da implantação de um programa de exercício físico, dieta sã e equilibrada, assistência médica, educação do paciente e da equipe sanitária (Colberg e Swain, 2000; Mercuri e Arrechea, 2001; Ertl e Davis, 2004).
Alguns estudos mostram essa união entre exercício físico e nutrição no controle do DM, exemplo o estudo de Neuhouser et al (2002), demonstrando que os 1728 homens e mulheres diabéticos, que durante um ano tiveram controle alimentar e praticaram exercício físico moderado regular, diminuíram o risco da doença em 42%. Yoo et al (2004) também demonstraram resultados positivos no controle do DM Tipo II, através da mudança drasticamente do estilo de vida de 29 pacientes diabéticos, através de uma dieta balanceada, exercício físico regular e moderado e controle de saúde.
Outros estudos têm demonstrado que o exercício físico diminui a hipertensão arterial, contribui na redução do colesterol e triglicerídeos no sangue, portanto colaborando na redução e evolução das doenças cardiovasculares (American College Of Sports Medicine & American Diabetes Association, 2000; Cancelliéri,1999; Forjaz et al., 1998).
Para Costa e Netto (1992), os benefícios dos exercícios físicos, de forma geral, podem ser demonstrados através do aumento da concentração das enzimas glicolíticas e oxidativas, aumentando a capacidade do músculo esquelético em produzir energia com menor cetose, aumenta também a ação da insulina e hipoglicemiantes orais.
Após o término da atividade, a musculatura continua captando glicose mais eficientemente, com o objetivo de recompor o glicogênio muscular e hepático, bem como recuperar o organismo, podendo ocorrer hipoglicemias até 48h após o término do exercício (Cancelliéri, 1999). Os efeitos de treinamento na musculatura esquelética, podem ser visto com aumento da força e da resistência física, representando assim uma contribuição significativa no controle do diabetes, bem como uma melhora na capacidade de trabalho (Leon, 1991; Grima, 1996).
Os benefícios do exercício regular em diabéticos, incluem, a redução da perda da massa óssea (osteoporose), aumenta o fluxo sangüíneo muscular e a circulação de membros inferiores; contribui na redução de peso, bem como na manutenção do peso normal e da massa muscular, se o exercício for associado a uma dieta hipocalórica (Gordon, 1997; Colberg e Swain, 2000; Neuhouser et al., 2002).
Segundo Forjaz et al.(1998) o exercício físico precisa ser bem conduzido para que seus riscos sejam minimizados e seus benefícios aumentados, recomendado no controle tanto no diabetes tipo I, quanto no diabetes tipo II, gerando importantes mudanças nos aspectos biológicos, psicológicos e sócio-cultural dos indivíduos. A nível fisiológico promove adaptações agudas e crônicas nos sistemas metabólico, neuro-endócrino e cardiovascular (Benetti, 1996).
Os exercícios regulares aceleram as adaptações metabólicas e hormonais que aparecem no início do exercício físico e contribuem para reduzir as necessidades da insulina, também aumentam a sensibilidade à insulina de forma semelhante ao indivíduo saudável, por um aumento significativo à responsividade dos receptores de insulina, proporcional à melhora da aptidão física (Leon, 1991).
Além dos efeitos metabólicos o exercício físico pode trazer outros benefícios relacionados aos fatores de risco das doenças cardiovasculares. De acordo com Forjaz et al (1998), em geral, indivíduos diabéticos apresentam doenças associadas tais como hipertensão, dislipidemia, obesidade (diabete tipo II) e doença isquêmica do coração, dessa maneira pode-se dizer que o exercício físico regular em indivíduos diabéticos, além de contribuir para a melhora do estado glicêmico, diminui sobremaneira os fatores de risco das doenças cardiovasculares.
PRATIQUE ATIVIDADES FÍSICAS SOB ORIENTAÇÃO DE UM PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA HABILITADO
Nenhum comentário:
Postar um comentário